Targa

Finalmente a targa do meu barco ficou pronta, e foi instalada neste sábado! Com “apenas” seis meses de atraso, mas antes tarde do que nunca. Para quem não é do meio náutico, targa é uma trave de aço inox que fica atrás do barco:

Ela é muito útil para fixar vários equipamentos, e também um toldo para fazer uma sombrinha quando o barco está parado.

No meu caso a principal utilidade é suportar duas placas solares. Até agora eu tinha uma só, instalada provisoriamente embaixo da retranca (acabou ficando lá por um ano e meio). Um péssimo lugar, porque a retranca fazia uma sombra enorme nela, prejudicando muito o rendimento:

placa sob retranca

Veio em muito boa hora, estava fazendo falta pois eu não era auto-suficiente em eletricidade. Pelas minhas contas agora é para dar e sobrar, vamos ver!

Além das placas, coloquei nela uma buzina e uma luz para poder curtir o cockpit à noite.

Publicado em Uncategorized | 7 Comentários

Impregnando madeira com epóxi

Depois de uma pausa devido ao natal e ano novo, retomei o projeto de construir um suporte para as baterias. Faz tempo que estou fazendo isso, para dar uma idéia este post é do começo do projeto.

Enfim, aproveitei o fim de semana para fazer uma das etapas mais trabalhosas: impregnar com resina epóxi os tocos de madeira que escorarão as baterias. Isso é para impermeabilizar a madeira, assim ela não vai apodrecer mesmo estando em ambiente marinho. Grossomodo, o epóxi penetra na madeira na primeira demão, e a segunda demão forma uma camada que cobre a peça.

Aprendi a trabalhar com epóxi uns 6 meses atrás, mas desde então não mexi mais com isso. E na época eu só tinha usado para impregnar os furos de fixação da bússola, e tapei alguns outros furos. Nunca tinha “pintado” uma peça inteira, ou mesmo uma superfície. Isso fica imediatamente claro para qualquer um que veja os tocos de madeira ao vivo e a cores, mas pelo menos as fotos disfarçam um pouco.

O primeiro passo é montar o circo:

bagunça para começar a impregnar

As vítimas estão em primeiro plano, levemente à direita. Dá para ver que são várias peças, e cada uma tem dois furos para os parafusos (sim, tem que impregnar o interior desses furos também). Deu trabalho.

O segundo passo é decidir quanta resina preparar. Não tenho prática e portanto não tenho noção de quantidade. Mas tinha vários tocos para impregnar então imaginei que 120 ml seria uma boa quantidade (vai vendo). Preparar o epóxi significa misturar os dois componentes: a resina e o endurecedor. É uma operação delicada porque há uma proporção a respeitar entre resina e endurecedor, portanto as quantidades têm que ser bem medidas.

Uma vez misturados os componentes, o relógio está correndo: a resina começa a secar e fica gradualmente mais viscosa e grudenta, até o ponto em que não dá mais para usar (é como tentar passar uma fina camada de doce de leite na madeira, enquanto seus dedos e o cabo do pincel estão lambuzados de super-bond). Quando a resina chegou nesse ponto, eu ainda não tinha terminado a primeira demão de todas as peças, então ia ter que fazer em duas etapas. Na verdade quatro etapas, duas para a primeira demão e duas para a segunda. Ia ser um dia longo…

Olhei para o copinho de plástico e vi que não usei quase nada dos 120 ml… Se usei 20 ml foi muito. Aí eu lembrei (ou melhor, fui lembrado) de um detalhe sobre epóxi que eu tinha esquecido: a reação entre a resina e o endurecedor é exotérmica. Normalmente isso não importa muito mas quando você é mané o suficiente para fazer mais de 5 vezes a quantidade de epóxi que precisa, pode virar um problema…

O copinho começou a esquentar. Me perguntei se ia derreter e por via das dúvidas coloquei ele dentro de outro copo. Aí esse outro começou a esquentar, e coloquei mais um copo… Aí resolveu. Não consegui tirar uma foto que mostrasse muito bem a proeza, mas:

SAM_1596Na segunda etapa eu fiz a menor quantidade que era prática de medir, se não me engano 30 ml. Ainda sobrou bastante, mas fazer menos que isso ia ser bem trabalhoso então fiz lotes de 30 ml mesmo.

Quando terminei tudo, era só deixar lá e esperar secar. Mas tinha um grande problema: lembra da história do super-bond? O epóxi enquanto está secando fica muito grudento, muito grudento mesmo (se eu tacasse um toco na parede provavelmente ele ia ficar lá), e depois que está curado é uma cola bastante poderosa. Não ia dar certo deixar os tocos em cima do plástico de um dia para o outro… Enquanto estava trabalhando já dava trabalho desgrudar para passar a outra demão.

Isso era um problema novo para mim, até então eu só tinha impregnado furos na parede. E agora tinha que arranjar um jeito de resolver, não dava pra deixar pra pensar nisso depois. O ideal era fazer um varal e pendurar tudo nele. 🙂 Mas como deixar uma peça separada da outra? Se ficassem encostadas iam colar juntas. Aí eu olhei pros palitos de dente em cima da mesa e pensei “hum, não tem como apoiar os tocos de madeira neles?”. Nada como um pouco de criatividade:

SAM_1593

Isso só funcionou porque os palitos estavam grudando na madeira na hora em que eu deixava eles atravessados nos furos dos parafusos. Antes que eu terminasse meu artesanato, o epóxi já tinha secado um pouco mais e eles já não grudavam. Tive que fazer uma adaptação da técnica, como pode-se ver nesta foto:

SAM_1588

Não me preocupei muito com os palitos de dente grudando porque a área de contato deles com a madeira era pequena, então seria fácil descolar depois… Não foi beeeem assim e em alguns casos tive que usar uma chave de fenda pra tirar uma ponta quebrada aqui e outra ali (dá pra imaginar a qualidade do acabamento).

Ufa, pelo menos terminou né? Foi um dia de trabalho mas agora é só parafusar no suporte. Exceto pelo fato de que os parafusos não passavam mais nos buracos. A espessura das demãos de epóxi deixou os buracos pequenos demais. 😦  E ao contrário do problema das peças grudando no plástico, eu já tive esse problema antes e pelo visto não aprendi a lição. Quando impregnei os buracos de fixação da bússola, aconteceu exatamente a mesma coisa e tive que alargar com a furadeira e impregnar novamente.

Pelo menos eu ia ter que refazer “só” os furos dos parafusos e não todas as superfícies das peças… Mas só no fim de semana seguinte, não dava tempo pra mais nada. Agora eu já sei: para furos em madeira, tem que escolher uma broca de diâmetro uns 2 mm maior que o parafuso.

Nota | Publicado em por | 2 Comentários

Toldo

Um problema sério de conforto em um veleiro é a temperatura dentro dele em um dia de sol forte. Vira um forno, não dá pra ficar dentro. O pior é que se não tem alguma cobertura do lado de fora não tem pra onde escapar, uma vez que a alternativa é ficar diretamente sob o sol escaldante.

Na verdade até tem alternativa, como eu descobri uma vez: o quarto de proa é muito bem ventilado, porque o vento no barco sempre flui da gaiuta de proa e sai pela gaiuta do teto do salão e a gaiuta de entrada atrás. Isso cria um “vento encanado” e o quarto de proa fica sempre bem fresquinho mesmo que o salão esteja a 40 ℃.

Mas não é legal ficar confinado num ambiente só. Houve uma melhora muito boa no Obstinado em novembro: fizemos um toldo para passar por cima da retranca e fazer uma providencial sombra sobre a cabine do barco. Melhorou 100% e agora dá pra passar um dia agradável no barco mesmo quando faz sol. A sombra estica um pouco para o cockpit (parte aberta atrás do veleiro, onde o timoneiro fica) então dá pra ficar de bobeira ali também.

foto do toldo, de trás foto do toldo, de frente foto do toldo, por baixo

Outra vantagem é que mesmo quando chove posso deixar as gaiutas do salão abertas já que não entra mais água por elas, e também ficar no cockpit sem me molhar. O toldo é muito resistente e fica firmemente amarrado no barco. Esses dias houve um vento de mais de 30 nós (55 km/h) e ela aguentou firme e forte. O único problema é que o barco balança muito mais no vento forte, e nesse dia eu cheguei a ficar enjoado e tive que tomar um dramin e me deitar mais cedo. :-/

Pelas fotos dá pra notar que a placa solar ficou estrategicamente posicionada exatamente no meio da sombra. Isso não é bom. Mas já encomendei uma targa (suporte de aço inox atrás do barco, pra colocar placas solares, antenas e outros apetrechos) e o problema se resolve. E vai dar pra instalar mais uma placa solar também, aí fico realmente auto-suficiente em energia.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Control+Z

Meu projeto atual é um suporte para prender as baterias do barco. Por enquanto elas estão soltas, e quando vou velejar escoro elas pra não andarem pra lá e pra cá. É um saco. Antes nem isso eu fazia. O barco adernava um pouco mais e às vezes eu escutava elas escorregando embaixo do cockpit… Vou fazer um post sobre esse suporte quando estiver pronto. Agora vou explicar o mínimo necessário para o meu causo.

Esses dias fiz uns furos para os parafusos. A estrutura do suporte são quatro tábuas, duas embaixo e duas em cima na transversal, formando um “jogo da velha” (#). As baterias ficarão sobre alguns desses parafusos, portanto tenho que colocá-los com a cabeça no mesmo nível da superfície da madeira. É mais simples do que parece, pra fazer isso você faz um buraco mais largo com a profundidade da altura da cabeça do parafuso e dentro dele faz o furo para o “corpo” do parafuso em si. Nessa ordem. Para fazer o furo maior, usa-se uma broca chata:

broca chata

A razão de usá-la primeiro é que é necessário fazer um “furo guia” com uma broca bem pequena (uns 3 mm) pra que a ponta dela fique firme enquanto ela abre um buraco mais largo. Eu fiz vários assim e ficou bom. Mas vacilei em dois furos e fiz primeiro o furo do parafuso (8 mm) pra depois lembrar que devia ter usado a broca chata antes. Sem o furo guia, a broca “dança” e o resultado é este:

Na foto até que não ficou tão ruim, ao vivo e a cores o buraco ficou ainda menos redondo… Eu que trabalho com informática, vi nessa hora o quão valioso é o Control+Z. Seria ótimo tentar de novo pra ver se ficava melhor.

Mas beleza, o que importa é que a cabeça do parafuso coube direitinho. Fiz com uma broca chata de ⅝ de polegada. Ficou bem justo. Putz, mas e aí como faz pra prender o parafuso com uma chave enquanto aperta a porca embaixo? Não tem espaço pra colocar a ferramenta. Devia ter usado a broca chata de uma polegada… Control+Z de novo, por favor.

Mas se com um furo guia de 8 mm saiu essa nhaca, com um furo guia de  ⅝ de polegada como fica? Fica esta obra-prima da carpintaria:

Nessa hora o máximo que dava pra fazer era passar uma lixa pra ver se ficava com uma cara melhorzinha…

Nailed it.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Mofo

Hoje deu na telha olhar minhas cartas náuticas. Eu guardo elas enrolada uma na outra, dentro de um tubo grande de papelão. Tive uma surpresa quando abri as cartas:

carta náutica mofada

Essa é a carta mais mofada, pois foi a que “embrulhou” todas as outras. As mais internas foram progressivamente menos afetadas, e a última está nova em folha. Por sorte as de maior escala, que são as que me interessam mais, estavam mais pra dentro e não houve muito problema. Essa de Santos a Paranaguá imagino que dê pra usar, é só não afastar muito do continente pra não entrar nas áreas marrons. 🙂

Fiquei alguns meses sem vir ao barco e ele ficou fechado todo esse tempo, essa foi uma das consequências (outra foi precisar limpar o carburador pro motor de popa funcionar de novo). Espero não achar mais surpresas desse tipo a bordo! Conferi alguns livros que deixei aqui também (no mesmo armário inclusive) e eles estão normais. Será que foi o fato de as cartas terem ficado dentro do tubo de papelão?

Agora é pesquisar pra ver se existe algum jeito de “desmofar” papel…

Publicado em Uncategorized | 4 Comentários

Carrinho do traveler

Lembro do dia em que o Teles veio ao Obstinado para regular o estaiamento e em uma hora em que estávamos conversando no cockpit eu comentei que finalmente daria para dar umas voltas aqui no Saco da Ribeira. Ele olhou pra mim e falou “você não pode velejar com este barco, olha aquela rachadura no carrinho do traveler”. De fato, eu não tinha reparado ainda mas era preocupante:

foto do carrinho rachado

Fazia tempo que eu não desanimava tanto com um revés no barco. Até então ele não passava de uma rolha boiando na água, e finalmente estaria apto a velejar. Não mais porém, tinha esse problema sério a resolver, e não ia ser fácil. O traveler do Obstinado é pequeno, vai entre os bancos do cockpit e há pouco espaço para um carrinho ali, principalmente por causa da proximidade com a antepara da cabine. Provavelmente um traveler moderno seria muito largo.Minha ideia então era instalar um traveler que fosse de uma ponta a outra do cockpit, como é mais comum hoje em dia. O trilho ficaria suspenso, ou então eu faria uma “parede” ligando um banco ao outro. O problema é que com isso a gaiuta de entrada da cabine ficaria menor, pois o trilho estaria muito alto. Enfim, um trabalho muito grande, e um resultado não muito satisfatório.

O Tio Spinelli salvou a pátria: sugeriu fazer um carrinho do traveler novo, de aço inox. Levamos a peça ao Luis Dutra, e logo o Obstinado ganhou um carrinho novo, customizado (prefiro descrever dessa forma!):

carrinho novo

O traveler ficou bastante sólido, apesar da aparência e encaixou perfeitamente no trilho. Quem diria, um problemão resolvido de forma inesperadamente simples. Salvo pelo Tio!

Ps: Olhando as “redondezas” do traveler na foto acima dá para ter uma ideia do serviço que ainda tem pela frente. O banco de boreste do cockpit está sendo refeito, tem um silver tape enquanto não dou um trato nas madeiras que emolduram a gaiuta da cabine… Enfim, tem muito assunto pro blog.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Sobre o blog

Algumas pessoas sugeriram que eu criasse um blog para relatar os acontecimentos no Obstinado. Achei uma boa idéia mas não sabia se teria ânimo e disciplina para mantê-lo atualizado. Esta é minha tentativa. Não garanto que postarei com freqüência nele, e é possível mesmo que eu o abandone (por preguiça, já confesso adiantadamente).

Tem muita coisa para arrumar e melhorar no barco e meu foco principal quando estou nele é trabalhar para deixá-lo mais habitável e preparado para navegação em mar aberto. Por enquanto, eu habito ele com gosto porque sou o dono, mas não acho que alguma visita teria uma estadia agradável se passasse uns dias no Obstinado… Água corrente e iluminação são acontecimentos relativamente recentes, por exemplo. 🙂

Por causa disso acho que a maioria dos posts vai ser sobre serviços que estou executando, pelo menos por enquanto. Não dá pra fazer muitos posts sobre velejadas dentro da enseada…

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário